Vieram à noite e encontraram Fernão deslizando calmamente e sozinho pelo seu querido céu.

ezgif-4113891091.gif
As palavras saíram fortes e calmas.
– Viemos para te levar para mais alto, para te levar para casa.
– Casa, não tenho. Bando, também não. Sou um Banido. E agora estamos a sobrevoar a Grande Montanha do Vento. Não consigo elevar este velho corpo acima de algumas centenas de metros.
– Podes sim, Fernão. Tu aprendeste. Acabou uma aprendizagem e chegou a hora de começar outra.
Tal como acontecera durante toda a sua vida, o entendimento iluminou a mente de Fernão Gaivota.
Tinham razão!
Ele podia voar mais alto, e era tempo de regressar para casa. Lançou um último olhar para o céu, para aquela maravilhosa terra prateada onde aprendera tanto.
– Estou pronto – disse, por fim. E Fernão Capelo Gaivota elevou-se com as suas companheiras brilhantes como estrelas, desaparecendo num perfeito céu escuro.

À medida que se afastava da Terra, por cima das nuvens e bem junto às duas gaivotas brilhantes, verificou que o seu próprio corpo se tornava tão brilhante como o delas. Na verdade, era o mesmo jovem Fernão Gaivota que sempre existira por detrás dos seus olhos dourados, mas a forma exterior era diferente. Era como o corpo de uma gaivota, mas já voava muito melhor que o antigo alguma vez voara.

As suas penas reluziam agora num branco-brilhante e as suas asas eram macias e perfeitas, como folhas de prata polida. Deliciado, começou a aprender a conhecê-las, a dar força àquelas novas asas.

Novas paragens, novos pensamentos, novas interrogações.
….
A Terra era um local onde aprendera muito … Mas ele sentiu que era bem vindo e que aquele era o seu lar. Fora um grande dia para ele, um dia cujo nascer do Sol ele já não recordava.

Nos dias que se seguiram, Fernão verificou que havia tanto a aprender sobre o voo como houvera na vida que deixara para trás.

Fazes alguma ideia de quantas vidas teremos de viver antes de compreendermos que há coisas mais importantes do que comer, lutar ou disputar o poder do Bando? Mil vidas Fernão, dez mil vidas! E, depois, mais cem vidas até começarmos a aprender que a perfeição existe, e outras cem para constatar que o nosso objetivo na vida é conseguir a perfeição e colocá-la em prática. As mesmas regra se aplicam, agora, a nós: escolhemos o nosso mundo através do que aprendemos neste. Se não aprendermos nada, então o próximo mundo será igual a este, com as mesmas limitações e obstáculos a vencer.

O trunfo consistia em tomar consciência de que a sua verdadeira natureza vivia, tão perfeita como um número por escrever, em todo o lado e ao mesmo tempo através do espaço e do tempo.

Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo…

Bach, R. livro: Fernão Capelo Gaivota.
Anúncios

Autor: >Lila

jornalista, vicionauta, blogueira, muito interessada em educação e comunicação [social, visual, digital] (professora, aluna, pesquisadora, mãe, filha e avó em ordem randômica de tempo, espaço e sensações )

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s