Dear Me, Dear Future-Self

Hoje li, nalgum blog que me foge agora, sobre uma coletânea de cartas de celebridades dirigidas a si próprias, isto é, pessoas maduras falando consigo no passado. A provocação era o que dizer para si mesmo vendo-se cara a cara com o que você foi aos dezesseis anos de idade.
Pensei na garota magrela caminhando sozinha ,tal qual  fiz agora de tarde, e tentei elaborar algumas palavras a ela.
Talvez orientações sobre outros caminhos, avisos dos sobressaltos, das vitórias, das derrotas e dores. Algum alerta sobre tantas alegrias que se seguiram em ondas estimulantes de superação. Contar da leveza de alguns momentos; da dureza áspera de outros. Palavras como evite, cuidado, desvie, fuja, agarre, supere, diga sim, diga não.

Daí percebi que seria tolice qualquer contato, pois o que sou hoje para o bem e para o mal é fruto de minhas escolhas e que passos diferentes, se me diminuiriam tristezas e entretantos, provavelmente me custariam cada momento de superação dessa única maneira de viver que tive.
Engraçado, não me interessa dialogar comigo do antes.Foi.
Agora sou. Nem sei se quero falar com eu de depois.

O Hoje tem me interessado tanto ultimamente. Viver hoje, ser saudável agora, amar agora, dizer o que penso e sinto na hora.
Já cometi enormes burradas e constrangimentos; trágicos um dia, cômicos hoje. Já amei desesperadamente, loucamente, inconsquentemente, Lilianamente.
Gerei, amamentei, curei e criei filhos. Vejo-os adultecendo.
Sobrevivi a doenças, a assaltos, a acidentes e a pessoas.
Corri, estudei, estudo, aprendente sempre curiosa sem fundo.
Gingando no ritmo de cada roda, de cada palma, cada ladainha segui em frente. As vezes cansada, desistindo, resmungando, cantarolando, emburrada, esperançosa, emburrecida, apática, empolgada, ansiosa, amedrontada, mas sempre em frente.

Quero o hoje, porque mais que nunca creio que cada um desses momentos que vivi me moldou e que o melhor sou eu agora.
Dos outros estou, de eu: Sou.
Assim, (hoje caminhando tal a moleca dos 1980’s) me senti verdadeiramente presenteada por uma brisa suave que veio acompanhada pelo quase silêncio do trânsito de veículos e pelos guinchos dos passaredo. Agraciada por poder admirar as texturas e tons das árvores no entardecer e principalmente por ser brindada com uma enorme lua cheia que despontou divinamente por trás de nuvens cinzentas. Espetáculo que durou alguns minutos.
A Lua rege 2012. São ciclos instáveis que carecem da tal vigilância e ponderação.

Querida eu, siga em frente.
Arbítrio, responsabilidade, satisfação, altivez. Tudo na medida que a intuição der.
Não tá bom, descarta. Com sensatez revise apenas o que tomar o tempo justo. Seleciona só o que fizer bem a você.
Ri do resto só se valer a pena. Chora desavergonhadamente. Passado é passado. Futuro? Ah. hoje! Só por hoje eu garanto ter feito o que fiz.


naveganças:
http://www.dearme.org
matéria The Guardian http://gu.com/p/32j4e/tw

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Autor: >Lila

jornalista, vicionauta, blogueira, muito interessada em educação e comunicação [social, visual, digital] (professora, aluna, pesquisadora, mãe, filha e avó em ordem randômica de tempo, espaço e sensações )

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