Joaquim

Hoje será a primeira vez, em quase 40 anos, que serei a filha num “Dia de Pais”. Vou ao encontro de um homem com o qual não tenho intimidade, nem história em comum. Alguém que por muito tempo foi não mais que um nome a preencher obrigatoriamente  nos formulários de identificação.  Não tenho mágoas, nem memórias.
De verdade considero muito positivo que seja assim.

Não sei ao certo o que direi. Nem o que ouvirei. Sei que é o que meu instinto manda fazer.

Foram muitos anos de vidas paralelas, com cursos tão próprios. Cada um travando sua própria luta íntima. Eu me fazendo gente, colecionando descobertas e vitórias.
Ele no abismo do alcoolismo, que eu imagino ser um labirinto desesperador, foi perdendo a cada dia um pouco de si. Desmemoriando as poucas lembranças de tantos sonhos que sequer foram compartilhados.

Então, não é de orgulho vivido que se faz este encontro, mas de um presente tímido, desconcertado por não ser cotidiano, que se constitui somente no agora, sem antes. Despretensioso em esperar qualquer depois.

Vai ser bom ao menos dizer: E aí seu Joaquim!

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Autor: >Lila

jornalista, vicionauta, blogueira, muito interessada em educação e comunicação [social, visual, digital] (professora, aluna, pesquisadora, mãe, filha e avó em ordem randômica de tempo, espaço e sensações )

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