Da barrigada aos escorregões e a lição de se manter atento

Hoje aconteceu uma aula de jornalismo muito interessante e útil para nós professores do tema. Com função bem próxima dessas simulações que vem ocorrendo por conta da segurança dos eventos esportivos próximos, serviu de alerta para que cuidados básicos e o checklist padrão sejam parte do ferramental de qualquer comunicador por mais experiente que se auto idealize.

Pois bem, há uns 3 dias, uma jovem jornalista que auto perfila também como bailarina e  com “veia surfista e a pitada de humorista devem ser aprimoradas em breve. PSem medir as consequências, publicou no blog do guia do estudante uma matéria que infla qualquer equipe que vem trabalhando com o empenho e envolvimento como a nossa. 3º,  lugar num ranking nacional de cursos de jornalismo.
O que ocorre em diante tem a ver com a facilidade dos textos e links compartilháveis da ciberesfera. A notícia se espalhou e cada interessado tratou de valorizar seu quinhão. Nada demais.
Hoje pela manha abro o Twitter da universidade e no site do curso que trabalho e lá está a boa nova numa notinha simples e completa, incluso uma imagem de um selo. Tão boa que nem penso duas vezes em compartilhar. RT e lista de discussão. Enquanto isso, na dinâmica da hiperinteração e das redes sociais multicompartilhadas se multiplica a repercussão em replicagem, RTs tanto do tuit original quanto das edições, curtições e comentários no FaceBook. Fluxo normal das redes da ilusão.
Até que uma mente mais atenta observa que o principal dado da matéria não tem atualidade, na verdade é base de um ranking feito em 2009. Praticamente 2 anos que na matéria do dia 20, aquela do blog, desaparecem, induzindo ao entendimento que o fato é quentíssimo.
Essa parte, a da barrigada, me chama atenção por alguns motivos: Ninguém comentou na dita postagem; não há nenhum aviso por parte da publicação, se desculpando pelo erro que ficou lá exposto e disponível aos incautos durante todo tempo.
Nos escorregões outras observações ainda inquietantes: Percebendo o equívoco, diferente do blog que manteve a postagem original, algum editor do portal da universidade simplesmente deletou a entrada que deu origem a várias postagens nas mais diversas redes sociais. Ora, como vítima de um tombo provocado matreiramente por outros, porque não avisar ao menos aos que compartilharam da vibe sobre o ocorrido? A gente aprende logo que começa a mexer com web que link quebrado é experiência frustrante.
Na verdade não há mentira, nem fraude pois se não foi editado outro ranking daquela publicação, ainda hoje ele é válido.  E sim fomos e ainda estamos bem colocados ali. E de fato, mais que qualquer indicador estatístico pode apurar, só melhoramos de lá até o momento. De toda a forma, nos indícios mais básicos tudo confere: data, fonte, autoria... Aos antenados, bastava prestar atenção nos dados da url da notícia primária, para ficar alerta. Aos de boa memória, valia comparar com o último ranking lançado. Aos afoitos, não perder tempo.
Agora, a questão da checagem ruboriza a todos. Essa está naquelas primeiras lições de jornalismo. Sou capaz de ver os preceitos do mestre Erbolato, repetido inúmeras vezes pelos professores durante nossa formação e que nós mesmos repetimos em cada aula, a cada indício de pressa na apuração, de autenticidade duvidosa, de fonte imprecisa ou de publicação com falhas.
Outra coisa é que a mesma presa em festejar foi essa da autopunição. Tal um transeunte distraído que se estabaca após deslizar numa casca de banana largada por um porcalhão qualquer e que ao levantar nem se preocupa com as próprias escoriações, mas se apressa em olhar a volta, sorri amarelo e levanta o mais rápido possível com medo de ser ridicularizado pelos outros. Enquanto quem passa ao lado finge que não vê para não aumentar o constrangimento. Meio ridículo é, contudo analisando pelo foco certo a indignação com que larga a casca no caminho alheio deve ser menos chamativa e indignante?
De cá, respiro aliviada e agradeço a oportunidade da simulação e suas valiosas rememorações.
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Autor: >Lila

jornalista, vicionauta, blogueira, muito interessada em educação e comunicação [social, visual, digital] (professora, aluna, pesquisadora, mãe, filha e avó em ordem randômica de tempo, espaço e sensações )

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