lila ilha ila l

Não posso dizer que me faltem pessoas com disposição suficiente para ouvir meus desbafos. Nominalmente, daquelas que moram do lado esquerdo do peito, com certeza tenho ao menos umas dez dessas almas queridas. Mas de verdade, eu não tenho coragem. Tenho vergonha de incomodar alguém com meus rosários.
E quando chego a fazer, vem o constragimento sem graça do depois.
As vezes a mão coça, quero ligar e dizer apenas que fiz um bolo sem receita e deu certo. Ou que li um livro que vale a pena, ou que um filho falou uma coisa engraçada. A quem interessa essas bobagens particulares ao meu universo? Também têm momentos onde desejo um colo, pra dizer que a saudade da mamãe é grande, ou desabafar as frustrações do cotidiano. Mas vem o dessassossego de pensar em incomodar. Ollho cada qual com sua vida, seus problemas, suas alegrias, sua própria rotina. Me sinto disturbando e me recolho. Outro dia talvez….
Dis so ciando, dis so ci abili zan do
E também como contar intimidades? Como envolver nomes de terceiros, de quartos, de quintos em inconfidências?
É, me tornei uma ilha, e nem sei bem quando isso começou…

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Autor: >Lila

jornalista, vicionauta, blogueira, muito interessada em educação e comunicação [social, visual, digital] (professora, aluna, pesquisadora, mãe, filha e avó em ordem randômica de tempo, espaço e sensações )

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