orkut

21/12/200615:46

21/12/200615:54
orkut
No mês de julho o jornal da universidade me pediu um texto sobre o site de relacionamento orkut, que na minha opinão é o second life brasileiro. Reproduzo abaixo:
O diâmetro do seu círculo social e da sua segurança

Da origem anárquica da internet vêm a filosofia da liberdade de expressão, da democratização e reconfiguração das possibilidades de socialização entre grupos com características muito distintas por um olhar mais superficial.

A idéia de redes sociais mediadas por tecnologias digitais não é uma novidade como pode parecer por conta das constantes e atualíssimas repercussões em grande parte negativas, relacionadas ao fenômeno Orkut. Pesquisadores, no ano de 1969 vislumbravam como as tecnologias que estavam em recente desenvolvimento acabariam influenciando as relações sociais: “O que as comunidades interativas on-line são? Na maioria dos campos se constituirão de membros separados geograficamente, as vezes agrupados em pequenas agregações(…) Serão comunidades não de localidades em comum, mas de interesse em comum.”

Destes quase 38 anos que nos separaram das primeiras experiências e especulações sobre internet e novas tecnologias é evidente a relação entre a evolução da qualidade das condições de acesso e de melhoramento de equipamentos com o surgimento das chamadas febres ou modas da internet. Foi assim com a Usenet, com a BBS, com o e-mail, com os grupos de discussão, as webcams, websites, chats, blogs, fotologs, mensagens instantâneas e redes sociais. A cada nova leva de pessoas que aderem a web, uma onda de encantamento.

Mundos que pareciam desconectados por questões técnicas, operacionais e de culturas disitntas começam a se integrar e a revelar semelhanças de condutas e problemas.

Foco de atenção da mídia e da justiça nos últimos tempos, o Orkut representa bem as conseqüências dessa inevitável convergência entre a tecnologia e as redes sociais. Criado em 2004 de forma despretensiosa, por um funcionário do Google, que batizou com o próprio nome seu projeto, o Orkut rapidamente se tornou fenômeno na internet brasileira. Talvez por conta de sua forma de acesso: apenas convidados podiam se integrar. Exclusividade. Também pelas possibilidades de network e pela diversão proporcionada. Voyerismo e fetiche.

Acumulando mais de 100 mil denúncias relacionadas a injuria, difamação, xenofobia, pedofilia, racismo, trafico de drogas e disseminação de pragas virtuais, este ambiente de relacionamento interpessoal representa praticamente 90% das reclamações enviadas à Ong SaferNet Brasil. Discute-se inclusive, retirar a representação do Google do território Brasileiro. Contra-senso (verificar ortografia), pois não são espaços geográficos que condicionam a abrangência da internet. Nem é a caneta ou o teclado que raciocina.

Na verdade o que os meios tecnológicos acabam por fazer é desvelar nuances camufladas da sociedade. Diferente do que possa transparecer num primeiro momento, a divulgação de atitudes criminosas via internet, permitiu acesso e punição a indivíduos que se achavam protegidos pelo anonimato, muitas vezes em vidas sociais pacatas.

Lembrando que o mundo que transparece nas redes sociais estabelecidas no orkut e em outros espaços da rede mundial são apenas projeções do cotidiano. Como se manter fora de risco?

Educação, informação e conhecimento e precaução ainda são as melhores defesas. Ninguém solta um filho menor no meio de uma feira ou shopping sem instruções ou cuidados. Ninguém sai do banco mostrando seu saldo e senha.

Golpes e fraudes não nasceram com a internet.

E as leis e normas que regem a sociedade nas atividades tradicionais também valem independente da ferramenta tecnológica usada para mediar as relações.

Poucos espaços possibilitam que se deixem tantos rastros e pistas quanto nos caminhos percorridos na web. Estima-se que no Brasil somos 32 milhões e 100 mil internautas (ibope). Se em números a massa de usuários de internet se funde, é por meio dos mecanismos de busca, pelos perfis em sites e redes de relacionamento que qualquer um que tenha sido ao apenas citado em um texto qualquer, pode ser identificado por nome, sobrenome e preferências, abertas ou ocultas.

Partindo das reflexões do sociólogo alemão G, Simmel, ponderadas pelo pesquisador André Lemos, a internet realiza tanto o papel de porta como o de ponte entre o indivíduo e a sociedade. Conectando e isolando, por si só, nem pontes nem portas são ruins.

A comunidade UCB – Católica de Brasília, por exemplo, tem por volta de 6.383 membros, entre alunos e ex-alunos e professores da Universidade e é um fórum democrático e heterogêneo. Dependendo a intenção de quem o usa pode oferecer oportunidades e referências.

Compreender os aspectos que se dinamizam nas apropriações dos meios de comunicação e entender que esses espaços cibernéticos são povoados por mentes humanas pode redirecionar as potencialidades de programas como o Orkut, unindo pessoas próximas em interesses, mas fisicamente distantes para promover educação, solidariedade.
Lila Ribeiro

Anúncios

Autor: >Lila

jornalista, vicionauta, blogueira, muito interessada em educação e comunicação [social, visual, digital] (professora, aluna, pesquisadora, mãe, filha e avó em ordem randômica de tempo, espaço e sensações )

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s